• Assoc. Pediátrica Viana

Picadas de insectos: o que fazer e como prevenir

Atualizado: 19 de Ago de 2019


Todas as crianças, em algum momento da sua infância, são alvo de picadas de insetos. A chegada do verão é acompanhada da ocorrência de águas estagnadas e temperaturas mais elevadas, fatores que favorecem a propagação de mosquitos. Embora possam picar durante todo o dia, a maioria dos mosquitos preferem a noite e o amanhecer para a picada.


Em Portugal a maioria dos mosquitos não transmitem doenças graves, no entanto, as suas picadas podem provocar reações inflamatórias, que por vezes são incómodas para as crianças e que preocupam os pais.


TIPOS DE REAÇÃO


Reação local: A mais comum, em que a picada do inseto provoca apenas uma reação com dor, comichão, vermelhidão e inchaço no local da picada.


Urticária papular ou prurigo estrófulo: Em alguns casos, a picada do inseto causa uma reação de hipersensibilidade em que surgem pápulas noutras regiões da pele que geralmente se encontram expostas (braços, região inferior das pernas, couro cabeludo e região superior das costas). Ocorre predominantemente em crianças entre os 2 e os 10 anos.


Reações sistémicas: em casos mais raros, podem também ocorrer reações sistémicas, incluindo anafilaxia, que requerem uma observação médica tão rápida quanto possível.


RECOMENDAÇÕES


Em casos de picadas comuns poderá fazer o seguinte para aliviar os sintomas:

  • lavar a zona da picada com água e sabão;

  • aplicar compressas com água fria ou gelo para alivar a comichão e reduzir o inchaço;

  • se surgir alguma bolha no local da picada, não a tente romper;

  • pode utilizar loções com calamina para acalmar a comichão;

  • em casos de comichão mais intensa poderá ser útil a utilização, por um curto período, de anti-histamínicos orais ou a aplicação de corticóides tópicos no local da picada, devidamente recomendados por um médico;

  • não devem ser aplicados anti-histamínicos em creme ou gel porque tornam a pele mais sensível à exposição solar e favorecem alergias de contacto;

  • evitar coçar tanto quanto possível e manter as unhas da criança curtas;

Por vezes, as picadas podem infetar ou por contaminação bacteriana durante a picada ou mesmo posteriormente devido ao ato da criança se coçar. Podem surgir sintomas mais intensos, com aumento do inchaço e da vermelhidão da pele para além do local da picada, ou mesmo febre. Nestes casos, é recomendada uma observação médica, já que pode ser necessário o uso de antibióticos.

COMO PREVENIR


A melhor forma de evitar a picada consiste em adotar medidas gerais que afastem os mosquitos e usar um repelente para o efeito.


Formas de prevenção

Existem algumas medidas que podem ser adotadas no sentido de evitar a picada dos insetos:

  • Roupa: Vestir as crianças com roupas apropriadas, frescas, que cubram braços e pernas. Estas roupas devem ter cores claras, menos atrativas para os mosquitos, e de preferência devem ser largas porque alguns mosquitos podem picar através de roupas apertadas. Não esquecer cobrir tornozelos e pés e usar chapéus de abas largas de modo a proteger a face e o pescoço. A roupa pode ser impregnada com permetrina (Moskout ®), uma substância repelente que dura vários dias, mesmo após algumas lavagens. Deve-se deixar secar a roupa após a impregnação e evitar o contacto direto da substância com a pele.

  • Evitar cremes e loções perfumadas uma vez que estas tendem a atrair os mosquitos.

  • Se possível, elimine locais com água estagnada, como em poças, baldes ou pneus.

  • Em casa: Mantenha portas e janelas fechadas, se não estiverem protegidas por rede mosquiteira, sobretudo nos períodos de maior atividade dos insetos. As camas e berços também podem ser protegidas com redes mosquiteiras, desde que devidamente seguras de forma a não permitir que as crianças se enrolem nelas. Vaporizadores elétricos de parede podem ser utilizados, mas desligados e o aposento arejado antes de criança entrar nessa divisão da casa. Os inseticidas em spray podem também ser utilizados, ainda que com precaução, mantendo a criança afastada aquando da sua aplicação e promovendo posteriormente a ventilação devida dessa divisão para que o cheiro residual desapareça antes da criança voltar.


Tipos de repelente e como os utilizar

Existem várias substâncias químicas usadas como repelentes, no entanto a mais utilizada é o DEET (N,N-dimetil-meta-toluamida). As recomendações atuais para crianças com mais de 2 meses é o uso de repelentes com DEET entre 10-30% e de acordo com as recomendações no rótulo do produto. Produtos com DEET não devem ser utilizados em crianças com menos de 2 meses.

Não está provado que o uso de suplementos vitamínicos, como a vitamina B, o uso de óleos e preparados à base de plantas, pulseiras impregnadas com repelentes ou a ingestão de alimentos com odor intenso (alho ou cebola) tenham efeito repelente eficaz.

Para que se possa utilizar um determinado repelente de forma eficaz e com a maior segurança possível, devem ser seguidas as recomendações dadas pelo fabricante no rótulo do produto e seguir algumas regras gerais. São elas:

  • nunca aplicar o repelente por baixo da roupa, mas apenas na pele exposta da criança.

  • usar os repelentes em zonas arejadas para que se evite a sua inalação;

  • o adulto deve pulverizar as suas mãos e depois espalhar o repelente na criança;

  • o repelente deve ser espalhado numa camada fina, uma vez que a maior quantidade não significa maior eficácia e pode aumentar a toxicidade;

  • evitar as mãos, os olhos, a boca, pele ferida ou irritada e zonas de eczema.

  • a aplicação deve ser realizada de acordo com os intervalos recomendados pelo fabricante;

  • está contraindicado o uso de associações de protetor solar e repelente no mesmo produto, uma vez que a necessidade de reaplicar o protetor solar mais frequentemente pode levar ao uso de doses tóxicas de repelente. Deste modo, deve ser usado primeiro o protetor solar, aplicando o repelente por cima;

  • quando a exposição aos insetos terminar, deve-se remover o repelente com água e o gel de banho ou sabonetes habituais.

É necessário ter em atenção que os repelentes não são eficazes contra abelhas, vespas, formigas e aranhas.

Autores: André Costa Azevedo, Isabel Martinho; Serviço de Pediatria da ULSAM

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