• Assoc. Pediátrica Viana

Alergias alimentares | Frutos secos


O que é a alergia aos frutos secos?


A alergia aos frutos secos constitui um problema relativamente frequente: 0,61% da população é alérgica pelo menos a um fruto seco. Esta alergia geralmente é grave e potencialmente fatal e raramente desaparece com a idade.


A alergia é a resposta excessiva do sistema imunológico aos alergénios (partículas estranhas ao organismo, mas habitualmente inócuas), que ocorre nos indivíduos atópicos, ou seja, aqueles que herdam a capacidade de desenvolver alergia.


O que é que a desencadeia?


As manifestações clínicas de alergia decorrem habitualmente da ingestão do alimento, mas também a inalação ou o contacto cutâneo com os alergénios alimentares poderão desencadear sintomas.


Nalguns casos, a anafilaxia ocorre apenas quando se realiza exercício físico após a ingestão do fruto seco a que se é alérgico (anafilaxia induzida pelo exercício e dependente de alimentos). Também pode ocorrer reação se o fruto for ingerido imediatamente após o exercício.


Quais são os sintomas?


Podem variar desde formas ligeiras a formas muito graves, de início muito rápido a mais tardio, deve suspeitar-se desta alergia quando sintomas idênticos se repetem após a ingestão do mesmo alimento ou de alimentos relacionados.


Sintomas mais frequentes:

  • Cutâneos (urticária, edema dos lábios ou de outras partes do corpo, eczema)

  • Respiratórios (espirros, congestão nasal, rouquidão, tosse, pieira, dificuldade em respirar)

  • Digestivos (diarreia por vezes com sangue, vómitos, dor abdominal em cólica)

As alergias a frutos secos são frequentemente responsáveis por reações anafiláticas “fatais ou quase fatais”. Estas reações podem acontecer mesmo após ingestão de pequenas quantidades.


Como se diagnostica?


Para ajudar no diagnóstico podem fazer-se análises de sangue, testes cutâneos ou provas de provocação oral.


Como se trata?


O tratamento de eleição é a eliminação total da dieta dos frutos secos a que se é alérgico.


Frutos secos mais suscetíveis de causar alergia


Os frutos secos estão envolvidos por uma casca rígida e por isso são também designados por frutos de casca rija. Entre eles as sensibilizações mais frequentes são à avelã, noz, caju e pinhão. O amendoim, embora seja um legume, é popularmente conhecido como sendo também um fruto de casca rija. É possível ser alérgico apenas a um ou vários frutos secos.


25 a 35% dos doentes com alergia ao amendoim têm alergia a outros frutos secos como noz, caju ou pistacho.

Conselhos gerais


Os frutos secos podem estar presentes na alimentação de forma pouco evidente (no caso de molhos ou outras preparações culinárias, pastelaria e doçaria). A sua presença muitas vezes não é especificada na rotulagem dos alimentos processados ou é designada de forma diferente do nome comum, sendo dificilmente reconhecível.

  • Há que considerar o risco da chamada contaminação cruzada, em que recipientes, utensílios ou superfícies que estiveram em contacto com frutos secos (durante a preparação dos alimentos, empacotamento ou quando estes são servidos) podem transportar os seus alergénios para alimentos que supostamente não os contêm.

  • As refeições confecionadas fora de casa e o consumo de alimentos processados são as situações que acarretam maior risco.

  • Atenção… Os frutos secos podem apresentar-se em produtos que não se ingerem, tais como produtos de cosmética (loções, sabões) e medicamentos.

Como escolher os alimentos?


O doente alérgico deve consultar os rótulos das embalagens de todos os produtos que consome e familiarizar-se com os termos utilizados pela indústria alimentar que identificam cada um dos ingredientes.


Alguns alimentos que podem conter frutos secos: gelados, bolachas, muesli, torrões, bolos, bombons, chocolates, saladas e enchidos.


Educação comportamental


A evicção do alimento implicado, é um processo complexo, exigindo a implementação de diversas estratégias no plano pessoal, familiar e social.
A educação envolve não só o doente e seus familiares, mas também os conviventes e, num plano mais lato, os diversos intervenientes na preparação dos alimentos.
Todos devem estar familiarizados com o plano de emergência que deve conter os detalhes da administração dos medicamentos em função da gravidade dos sintomas.
É importante que os primeiros sintomas de reação alérgica sejam rapidamente reconhecidos, para que o tratamento se inicie o mais rapidamente possível.

ATENÇÃO!!


Mesmo com a ingestão de quantidades muito pequenas do fruto a que se é alérgico, há sempre o risco de choque anafilático. O doente alérgico deve transportar sempre consigo o dispositivo de adrenalina para autoadministração!!

Autores: Ana Rita Araújo, Francisco Ribeiro Mourão, Susana Rodrigues

S. Pediatria ULSAM

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