• Assoc. Pediátrica Viana

Picada de peixe aranha e caravela portuguesa


Picada de Peixe-aranha


O que é o peixe-aranha?

Peixe-aranha é o nome comum para várias espécies de peixes da família Trachinidae, entre as quais está o peixe-aranha-menor, o mais frequente em Portugal. São peixes alongados, de cor acastanhada, com uma pequena barbatana dorsal preta com espinhos, que servem como mecanismo de defesa. Ao serem pisados libertam uma toxina (ou “veneno”), que é a responsável pelos sintomas provocados. Esta toxina é termolábil, o que significa que, se submetida a temperaturas elevadas é destruída. Uma picada destes animais marinhos é habitualmente bastante dolorosa, mas as lesões que provocam, geralmente, não são graves e podem ser tratadas de imediato, sem que seja necessária assistência médica.


Quais os sintomas da picada por este peixe?

Inicialmente sente-se uma pequena picada, como se pisássemos uma concha partida ou uma pedra mais afiada. Em 2 a 3 minutos começa a doer, cada vez mais, até se tornar difícil andar. O local da picada pode ficar inchado e vermelho.


O que fazer se o seu filho for picado?

Comece por tirá-lo da água com calma, tentando mexer o menos possível o local picado e chame o nadador salvador ou dirija-se até ele. De seguida esprema o local da picada de modo a tentar retirar o máximo de veneno possível (se sangrar não há problema). Após isto, há 3 medidas que podem ser eficazes. Tente uma delas consoante o que tiver ao seu alcance no momento:

  1. Colocar-lhe o pé em água quente, durante pelo menos 30 minutos. O ideal é que a temperatura da água esteja acima dos 40ºC, para que o veneno se decomponha com o calor.

  2. Aproxime a ponta de um cigarro ou de um isqueiro – a 2 ou 3 centímetros de distância ou a distância mais segura de modo a não lhe causar uma queimadura – para aliviar a dor e ir reduzindo o veneno.

  3. Caminhe com ele na praia, na zona mais quente do areal, longe da beira-mar. À semelhança dos tratamentos anteriormente sugeridos, o veneno decompor-se-à devido à temperatura elevada. Esta é a solução menos cómoda, porque pode intensificar a dor ao exigir que o membro seja mobilizado.


E se o espículo do peixe-aranha ficou na ferida?

Por vezes um dos espinhos parte-se e fica cravado na ferida. Após as primeiras medidas para aliviar a dor, deve ser inspecionada a zona picada. Não é preciso ter pressa porque o espículo, desde que separado do peixe, não liberta mais toxina.

Se este for visível na ferida, deve ser retirado. Caso contrário, não se deve abrir a ferida. Lavar e desinfetar é sempre recomendado.


E o “spray milagroso” (spray de cloreto de etilo) que todos os nadadores-salvadores têm?

O spray de cloreto de etilo arrefece a área onde é aplicado e, portanto, cria uma falsa sensação de alívio da dor. O problema persiste porque a toxina fica “presa” nos vasos sanguíneos arrefecidos da zona afetada (ou seja, este spray causa contração dos vasos sanguíneos e, por isso, o veneno não circula na corrente sanguínea. Quando o efeito do frio passa, os vasos dilatam, e o veneno volta a entrar em circulação, fazendo com que a dor regresse.).


É preciso ir ao hospital após a picada?

Estes são os sintomas a que deve estar atento e que devem fazê-lo levar o seu filho ao hospital:

  • Náuseas e vómitos;

  • Dor intensa e permanente, mesmo após o tratamento com calor;

  • Febre persistente após as primeiras 24 horas (sugestivo de infeção do local da picada)

  • Dor de cabeça que não cede;

  • Hipersudorese (suor excessivo);

  • Contratura muscular na zona da picada;

  • Espinho visível na pele no caso de não o ter conseguido remover.

Picada por caravela portuguesa (Physalia physalis)


Apesar do seu aspeto quase mágico, uma picada de caravela portuguesa pode ser bastante dolorosa, portanto tente mantê-las fora do seu alcance. Caso aviste uma não caia na tentação de lhe tocar. O mais importante é não entrar na água nesse momento e comunicar ao nadador-salvador. Caso ela esteja morta na areia o procedimento deve ser semelhante pois continuam a conseguir provocar lesões.

Tem um corpo oval, de cor azul, violeta ou vermelha e mede de 10 a 30 cm. Debaixo da carapaça mole estão tentáculos que podem atingir até 20 metros de comprimento, que têm cnidócitos venenosos. Estes cnidócitos são células urticantes (provocam lesões tipo urticária), recheadas de filamentos que libertam as toxinas da Caravela-portuguesa, quando em contacto com a pele. É frequentemente encontrada em águas quentes e temperadas.


O veneno da caravela portuguesa provoca dor intensa, sensação de queimadura, prurido (comichão), inchaço e vermelhidão e, em casos mais graves, reações alérgicas.

Como deve proceder caso o seu filho tenha contacto com uma:

  1. Lavar, com cuidado e sem esfregar, a zona afetada com água do mar e nunca com água doce.

  2. Remover os tentáculos que possam estar agarrados à pele com um instrumento de plástico – preferencialmente pinças, mas, na falta, um cartão bancário, cartão de cidadão ou carta de condução servirão.

  3. Aplicar bandas quentes ou água quente para alívio da dor, sem fazer compressão. Podem também ser administrados analgésicos (paracetamol ou ibuprofeno).

  4. Não aplique nunca álcool ou urina (estimula os cnidócitos a continuarem a libertar toxinas). Quanto ao vinagre ele é eficaz nas lesões da caravela portuguesa, mas o mesmo não está descrito para as lesões de outro tipo de medusas.


Procure assistência médica se:

  1. Mantiver dor intensa persistente, mesmo depois das medidas sintomáticas anteriores;

  2. Reação alérgica exuberante;

  3. Lesão extensa do tipo queimadura.

As medidas a aplicar nas lesões por outro tipo de medusas é semelhante. A aplicação de vinagre não é consensual. Os sintomas que devem motivar a procura de assistência médica também são os supra-citados.


Um bom verão e desfrute da praia com segurança!


Autores: Andreia Marinhas, Licínia Lima; Serviço de Pediatria da ULSAM

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