• Assoc. Pediátrica Viana

Alergias alimentares | Peixe


O que é a alergia ao peixe?

Na Europa a alergia ao peixe representa a 3ª causa de alergia alimentar, depois do leite e do ovo. A alergia é a resposta excessiva do sistema imunológico aos alergénios deste alimento (partículas estranhas ao organismo, mas habitualmente inócuas), que ocorre nos indivíduos atópicos, ou seja, aqueles que herdam a capacidade de desenvolver alergia. Quando expostos aos alergénios, estes indivíduos sensibilizam-se e, consequentemente, passam a manifestar sintomas sempre que contactam com aqueles.


O que é que a desencadeia?

As manifestações clínicas de alergia ao peixe decorrem habitualmente da ingestão do alimento, mas também da inalação ou do contacto cutâneo com os alergénios alimentares. Existem reações adversas ao peixe que não são alérgicas. Podem dever-se à presença de toxinas ou à contaminação por agentes infeciosos (por falhas nos processos de refrigeração e conservação do peixe).


Quais são os sintomas?

Podem variar desde formas ligeiras a formas muito graves, de início muito rápido a mais lento. Deve suspeitar-se desta alergia quando sintomas idênticos se repetem após a ingestão de peixe ou de alimentos que o contenham.


Sintomas mais frequentes:

  • Cutâneos (urticária, edema dos lábios ou de outras partes do corpo, comichão na boca);

  • · Respiratórios (tosse, pieira, dificuldade em respirar);

  • · Digestivos (diarreia por vezes com sangue, vómitos, dor abdominal em cólica).

Na alergia ao peixe a forma mediada por anticospos IgE é a mais comum, pelo que é a reação geralmente é imediata (início nos primeiros 30 minutos e até 2 horas após a exposição ao peixe).


Como se diagnostica?

Para ajudar no diagnóstico podem fazer-se análises ao sangue, testes cutâneos ou provas de provocação oral.


Como se trata?

O tratamento de eleição é a eliminação total do peixe cru ou cozinhado.


O que causa a alergia?

O alergénio principal do peixe é uma proteína muscular designada de parvalbumina. Existem outros alergénios, como o colagénio tipo I, que é uma proteína abundante na pele e espinhas de peixe. As parvalbuminas das diferentes espécies de peixes assemelham-se muito entre si, pelo que é frequente que os doentes alérgicos reajam a várias espécies de peixe (reatividade cruzada). No entanto, pode existir sensibilização apenas a uma ou algumas espécies, com tolerância a outras. Há casos muito raros de reatividade cruzada entre a parvalbumina de peixe e a de galinha ou de rã, condicionando reações alérgicas a estes alimentos.


Ao contrário do que se pensa, não foi até à data identificada reatividade cruzada entre peixes e mariscos, pelo que as pessoas alérgicas a peixe podem geralmente consumir moluscos e crustáceos sem risco de reação alérgica.


Conselhos gerais:

  • Há que considerar o risco da chamada contaminação cruzada, em que recipientes, utensílios ou superfícies que contactaram com peixe podem transportar os seus alergénios para alimentos que supostamente não os contêm. Caso desencadeie sintomas por inalação (cheiros ou vapores de peixe) deverá evitar locais onde se esteja a cozinhar peixe, especialmente se mal arejados.

  • A alergia ao peixe pode não ser definitiva, em especial nas crianças. Vale a pena reavaliar a situação com alguma periodicidade, para identificar uma eventual aquisição de tolerância. Esta reavaliação deve ser feita com a colaboração do seu médico, de modo a prevenir a ocorrência de reações alérgicas graves.


Como escolher os alimentos?

O doente alérgico deve ler atentamente os rótulos dos alimentos processados industrialmente e refeições congeladas (ex: panadinhos de atum podem conter bacalhau, as “delícias do mar” e outros sucedâneos de marisco (surimi) são feitos à base de peixe…).


Fora de casa, deve ter cuidado com os alimentos em que o peixe possa estar oculto: rissóis, pastéis, tartes, pratos ditos de marisco e alguns molhos.


Os suplementos alimentares à base de óleo de peixe ou alimentos suplementados em ácidos gordos ómega-3 poderão conter proteínas de peixe e causar sintomas nalguns doentes com maior grau de sensibilidade.


Educação comportamental:

A evicção do alimento implicado é um processo complexo, exigindo a implementação de diversas estratégias no plano pessoal, familiar e social.
A educação envolve não só o doente e seus familiares, mas também os conviventes e, num plano mais lato, os diversos intervenientes na preparação dos alimentos.
Todos devem estar familiarizados com o plano de emergência que deve conter os detalhes da administração dos medicamentos em função da gravidade dos sintomas.
É importante que os primeiros sintomas de reação alérgica sejam rapidamente reconhecidos, para que o tratamento se inicie o mais rapidamente possível.

ATENÇÃO!!!


Mesmo com a ingestão de quantidades muito pequenas de peixe, há sempre o risco de choque anafilático.


O doente alérgico deve transportar sempre consigo o dispositivo para autoadministração de adrenalina!!


Autores: Ana Rita Araújo, Francisco Ribeiro Mourão, Susana Rodrigues; Serviço de Pediatria da ULSAM

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