• Assoc. Pediátrica Viana

A solução está na relação!


Não há nada que te diga como educar sem falhas e com 100% de sucesso uma criança. Mas há uma coisa linda, maravilhosa, inata, que todos os seres humanos têm: a necessidade de amar e de ser amado. Em termos técnicos, isto significa o instinto natural para estabelecer vínculos/ligação/conexão.


Quero falar-te em particular desta necessidade psicológica e emocional básica: a conexão. Se é certo de que não existe maneira de sermos perfeitos no exercício da nossa parentalidade e se os conflitos inevitavelmente surgem, ou porque o nosso filho arranja mil e uma desculpa para se ir deitar, ou porque não quer vestir o casaco, ou porque fica aborrecido por não ter recebido o brinquedo que queria, ou porque não quer fazer os trabalhos de casa, é certo também que estes momentos constituem muitas vezes oportunidades para nos ligarmos mais aos nossos filhos e à sua real necessidade: a conexão.


Sim, eu sei que às vezes é muito difícil estabelecer conexão com os nossos filhos, ainda mais se estão no meio de uma grande “birra”. Sei também que cada criança e cada pai/mãe tem os seus próprios problemas, os seus temperamentos, as suas histórias de vida, as suas características idiossincráticas e que tudo isso influencia o estabelecimento de um vínculo saudável e seguro. Mas também sei que é muito confuso e doloroso para uma criança, quando um pai ou uma mãe (ou outro cuidador) opta por ignorar a discussão e/ou nunca a abordar, continuando a agir como se nada tivesse acontecido.


A meu ver, a solução para uma relação pais-filhos saudável e de cooperação autêntica está em nós, pais e educadores. Quando, sistematicamente, um pai, uma mãe ou outro educador não procura restaurar o vínculo com a criança após uma rutura, e se esta rutura é acompanhada por emoções fortes e intensas como a fúria, dentro da criança cresce vergonha, humilhação, sentimentos de insuficiência e uma perceção negativa da forma como funcionam as relações.


Por isso, é da nossa responsabilidade, enquanto pais ou figuras de cuidado preferenciais, restabelecer a conexão com a nossa criança.

Podemos fazê-lo de várias formas mas temos de o fazer. Não só porque ao fazê-lo estamos a comunicar o nosso amor e a importância que atribuímos à nossa relação, como também estamos a servir de modelos para os nossos filhos relativamente à melhor maneira de mantermos relacionamentos saudáveis com as pessoas.


Com isto não quero dizer que não deves ensinar o teu filho a ter comportamentos adequados ao contexto, que deves satisfazer os seus desejos, que não deves comunicar-lhe os limites, que não deves veicular valores morais, de ética, empatia ou compaixão. O que eu quero dizer-te é que, em primeiro lugar deve estar a relação que tens com teu filho e que, quando surgem conflitos ou ruturas nessa relação (porque surgem e é natural!), devas procurar restabelecer a conexão o mais depressa possível.


Parece básico não é? Mas acredita que é mágico! Quase sempre, uma criança que não coopera, que não faz o que lhe pedes, que parece estar a testar os limites, que te tira a paciência… é uma criança que te quer comunicar que a vossa relação está em causa, que a vossa ligação está a perder-se… Nessas alturas, faz uma pausa consciente e reflete sobre isto:


  • Têm passado pouco tempo em família?

  • O teu filho tem se sentido suficientemente visto e ouvido?

  • Será que ultimamente a vossa vida tem andado mais agitada?

  • Quão presente tens estado nos momentos do teu filho?


Muitas vezes, na minha prática clínica, basta sugerir aos pais o maior investimento na relação que têm com os filhos (e isso pressupõe inevitavelmente mais tempo de presença plena com eles e mudanças na forma como comunicam com os filhos) para que de repente eles comecem a cooperar.


“As crianças devem descansar no nosso amor, o que significa que devemos oferecê-lo e mantê-lo presente da forma mais constante e incondicional que nos for possível” (Gordon Neufeld)

Autora: Zulima Maciel

Psicóloga Clínica/Instrutora de Mindfulness/Facilitadora de Parentalidade Consciente

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